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	<title>estoicismo - Mateus Salvadori</title>
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		<title>Ser estoico não significa ser passivo, mas ser resistente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mateus Salvadori]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Apr 2023 19:15:18 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Um princípio básico do Estoicismo de Epicteto é saber diferenciar o que podemos controlar</strong>&nbsp;(nosso estado mental: desejos e aversões, impulsos e opiniões)&nbsp;<strong>daquilo que não podemos</strong>&nbsp;(as coisas externas). Como ele diz na obra&nbsp;<em>Manual</em>: entre as coisas que existem, há aquelas subordinadas a nós e as não subordinadas a nós. As subordinadas a nós são o pensamento, o impulso, o desejo, o evitar e, em síntese, todas as operações que executamos (todos esses aspectos são características internas nossas); as não subordinadas a nós são o corpo, os bens, a reputação, os cargos e, em síntese, tudo aquilo que não são operações que executamos.</p>



<p>Epicteto julga as coisas não subordinadas a nós como frágeis, externas e dignas de um escravo. Seguindo esse raciocínio, nós não controlamos os eventos externos, a sorte, o carma, as outras pessoas, o mundo. Entretanto, tais coisas dizem respeito a algo que está verdadeiramente sobre nosso controle: o pensamento. Continua Epicteto: some-se a isso que as que estão subordinadas a nós são naturalmente livres, desimpedidas, sem obstáculos, ao passo que as que não estão subordinadas a nós são frágeis, servis, sujeitas a impedimentos, estranhas.<strong></strong></p>



<p>O grande problema é que muitas pessoas entenderam esse princípio de maneira errada, achando que ele significa uma passividade diante das coisas externas. As coisas externas são aquelas que não dependem totalmente de você, mas que você pode manejar de alguma forma, lidar da melhor maneira possível.<strong></strong></p>



<p><strong>O estoicismo não é uma filosofia de passividade, mas de resistência</strong>. Diante do mundo atribulado, o estoico constrói em sua mente uma cidade de refúgio, onde só ele tem o controle. E, estando com sua mente protegida, ele age como cidadão do cosmos, para o bem de todos. Procuramos refúgio, por exemplo, nas casas de campo, mas os problemas vão junto conosco. Como disse Sêneca: não é mudar os ares, mas mudar o ânimo. Não é fugir dos problemas, mas aprender a lidar com eles. Sêneca nos propõe o seguinte raciocínio: você trocaria a sua vida pela vida de outra pessoa? A resposta a isso vai nos apresentar a qualidade de nossa vida. Não basta que a nossa vida tenha uma longa duração, mas que o nosso tempo seja cheio de vida de acordo com nossas circunstâncias.</p>



<p>Um exemplo prático disso tudo dado por Epicteto em sua obra&nbsp;<em>Manual</em>&nbsp;é o seguinte: quando te dispões a realizar alguma ação, recorda-te de qual é a natureza dessa ação. Se estás saindo para tomar um banho, antecipa mentalmente o que acontece numa sala de banhos (aqui a referência é aos banhos públicos), ou seja, indivíduos que jogam água em ti, indivíduos que esbarram em ti, indivíduos que te insultam, indivíduos que te roubam (em outras palavras, ser pessimista e esperar que as coisas deem errado). Com efeito, por via de consequência se durante o banho acontecer de te veres diante de algum obstáculo, estarás pronto para dizer: “Todavia eu não queria somente isso, mas também conservar minha vontade em harmonia com a natureza; mas não a conservaria se me aborrecesse com os acontecimentos”. Ao visualizar possíveis cenários você consegue lidar melhor com situações de adversidade e obstáculos, pois você já estava preparado de antemão.<strong></strong></p>



<p><strong>Referência Bibliográfica</strong></p>



<p>EPICTETO. <em>Manual de Epicteto</em>: a arte de viver melhor. Trad.: Edson Bini. 1 ed. São Paulo: Edipro, 2021.</p><p>The post <a href="https://mateusalvadori.com.br/ser-estoico-nao-significa-ser-passivo-mas-ser-resistente/">Ser estoico não significa ser passivo, mas ser resistente</a> first appeared on <a href="https://mateusalvadori.com.br">Mateus Salvadori</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Por que tememos o inevitável?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mateus Salvadori]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Nov 2022 21:22:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[estoicismo]]></category>
		<category><![CDATA[sêneca]]></category>
		<category><![CDATA[sobre a brevidade da vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Algo que não escaparemos e que mesmo assim é comum temermos é a morte. O que existe depois disso tudo? Será que continuarei vivendo em outro local? Ou a morte é o fim de tudo e tudo o que me resta são os anos que ainda viverei nesta vida? São muitas as perguntas sem respostas.&#8230;&#160;<a href="https://mateusalvadori.com.br/por-que-tememos-o-inevitavel/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Por que tememos o inevitável?</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Algo que não escaparemos e que mesmo assim é comum temermos é a morte. O que existe depois disso tudo? Será que continuarei vivendo em outro local? Ou a morte é o fim de tudo e tudo o que me resta são os anos que ainda viverei nesta vida? São muitas as perguntas sem respostas. Eu mesmo me pego pensando bastante sobre isso e, dependendo do momento que estou vivendo, acabo sofrendo com essa sensação de que um dia tudo terminará.</p>



<p>Uma das questões centrais da filosofia é o problema de como se deve encarar a vida para que se possa viver bem.</p>



<p>Segundo Sêneca, viver bem inclui o morrer bem. Na obra <em>Sobre a brevidade da vida</em>, ele disse o seguinte: deve-se aprender a viver por toda a vida e, por mais que tu talvez te espantes, a vida toda é um aprender a morrer. A vida é uma espécie de preparação para a morte: uma vez principiada, a vida segue seu curso e não reverterá nem o interromperá, não se elevará, não te avisará de sua velocidade. Transcorrerá silenciosamente, não se prolongará por ordem de um rei, nem pelo apoio do povo. Essa é a inevitabilidade da vida: a sua corrida para a morte. A mortalidade é a marca mais íntima da vida e saber disso é a exigência filosófica mais importante.</p>



<p>Em outra obra intitulada <em>Cartas Consolatórias</em>, Sêneca destaca que nenhum outro porto há, a não ser a morte, para aqueles que navegam neste tão agitado mar. A morte é um consolo diante da agitação da vida, mas não há outro caminho para enfrentá-la a não ser vivendo adequadamente, o que significa, manter-se pronto para quando ela chegar. Aquele que aprender essa lição, não só viverá bem, como poderá, quando a morte chegar, enfrentá-la com dignidade. E isso se alcança tendo sempre consciência de sua inevitabilidade, de sua ameaça constante, de sua evidente possibilidade. A filosofia é, por isso, a disciplina que mais pode ajudar a conquistar uma tal tranquilidade, porque ela nos prepara para a vida boa e, nesse caso, também para a boa morte. Aprender a viver bem é compreender a fragilidade da vida.</p>



<p>Diante da certeza da morte, nos resta aceitá-la de braços abertos, pois de nada adianta lutar contra o inevitável. Somos frágeis e podemos sucumbir a qualquer instante. Não temos sete vidas. Portanto, não tendo controle sobre a quantidade de vida, devemos focar na qualidade. Sabemos que vamos morrer, mas não quando vamos morrer. Isso nos força a viver e buscar, sempre, uma vida bem vivida.</p>



<p>Hoje, consigo pensar sobre a finitude com menos pavor como pensava no passado. No passado, ela me estagnava. Hoje, não mais, porque sei que neste exato momento que estou escrevendo essas linhas, estou vivendo e vivendo com qualidade. Hoje, não busco mais controlar o incontrolável. Não luto mais contra aquilo que sei que vou perder. Escolho minhas lutas e vivo minha vida da melhor maneira possível.</p>



<p>Precisamos viver – e morrer – com dignidade.</p>



<p><strong>Referências Bibliográficas</strong></p>



<p>SÊNECA. <em>Cartas consolatórias</em>. Campinas: Pontes, 1992.</p>



<p>SÊNECA. <em>Sobre a brevidade da vida</em>. São Paulo: Edipro, 2020.</p><p>The post <a href="https://mateusalvadori.com.br/por-que-tememos-o-inevitavel/">Por que tememos o inevitável?</a> first appeared on <a href="https://mateusalvadori.com.br">Mateus Salvadori</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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