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	<title>história - Mateus Salvadori</title>
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	<title>história - Mateus Salvadori</title>
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		<title>Marx e Nietzsche: o ser humano, o mundo e a história</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mateus Salvadori]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Jun 2023 12:03:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Três conceitos centrais para a filosofia são: o ser humano, o mundo e a história. Eles são discutidos desde a origem da filosofia e até hoje geram debates acalorados. Dois grandes teóricos que tratam desses três conceitos de maneiras diferentes são Marx e Nietzsche. Nicola Abbagnano, na sua obra&#160;A sabedoria da Filosofia, apresenta sucintamente essa&#8230;&#160;<a href="https://mateusalvadori.com.br/marx-e-nietzsche-o-ser-humano-o-mundo-e-a-historia/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Marx e Nietzsche: o ser humano, o mundo e a história</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Três conceitos centrais para a filosofia são: o ser humano, o mundo e a história</strong>. Eles são discutidos desde a origem da filosofia e até hoje geram debates acalorados. Dois grandes teóricos que tratam desses três conceitos de maneiras diferentes são Marx e Nietzsche. Nicola Abbagnano, na sua obra&nbsp;<em>A sabedoria da Filosofia</em>, apresenta sucintamente essa diferença.</p>



<p><strong><em>Primeira diferença: &#8220;o ser humano&#8221;</em></strong></p>



<p>Para Marx, o homem se constitui essencialmente pelas relações de “produção” (modos de produção: escravidão, feudalismo, capitalismo e comunismo) e “trabalho” (exteriorização do ser; nos diferencia dos animais), e como tais relações variam historicamente com o desenvolvimento da sociedade, o homem é &#8220;um ser social&#8221; e tudo aquilo que pensa ou faz é manifestação ou afirmação da vida social.<strong></strong></p>



<p>Já para Nietzsche o homem é essencialmente energia vital, vontade de potência (principal força motriz nos seres humanos: é a realização, a ambição, o esforço, o expandir-se, o dominar, o criar valores e dar sentidos próprios), individualidade irredutível, à qual os limites e imposições da sociedade permanecem estranhos, à semelhança de máscaras de que pode e deve livrar-se.<strong></strong></p>



<p>Parece que Nietzsche e Marx concordam com a materialidade, com a corporeidade do homem. Mas, para Marx, essa corporeidade é sujeição às necessidades e ao trabalho para satisfazê-las; para Nietzsche, em contrapartida, é a jubilosa explosão da energia vital, a ativa experiência dos valores que a subtraem ao niilismo da renúncia.<strong></strong></p>



<p><strong><em>Segunda diferença: &#8220;o mundo&#8221;</em></strong></p>



<p>Para Marx (e principalmente para Friedrich Engels), o mundo em que o homem vive é um todo orgânico perfeitamente ordenado, governado por leis necessitantes, que Engels considerava de natureza “dialética”.<strong></strong></p>



<p>Para Nietzsche, o mundo não tem ordem, estrutura, forma e inteligência. Nele as coisas “dançam nos pés do acaso”; somente a arte pode transfigurar a desordem do mundo em beleza e fazer aceitável tudo aquilo que há de problemático e terrível na vida.<em><br><strong>Terceira diferença: &#8220;a história&#8221;</strong></em></p>



<p>Para Marx, a história é dominada pela estrutura econômica da sociedade, e todas as modificações que aí ocorrem se devem às mudanças de tais estruturas. Por isso, “o modo de produção da vida material condiciona, em termos genéricos, o processo social, político e espiritual da vida” (a infraestrutura condiciona a superestrutura). A história é processo necessário que terá como etapa derradeira a inevitável transformação da sociedade capitalista em sociedade comunista. Só resta aos homens adaptar-se ao movimento da história, favorecê-lo e trabalhar neste sentido. Qualquer tentativa contrária seria inútil.<strong></strong></p>



<p>Para Nietzsche, a história é feita pelos indivíduos superiores, que sabem compreender as razões do passado e antecipar as do futuro; pelos senhores e legisladores, para os quais conhecer equivale a criar, o criar a legislar, o querer a verdade a querer o poder. Nietzsche propõe formas nas quais a história possa ser utilizada para promover a vida e não paralisá-la, ou seja, para estimular as produções culturais e não cristalizá-las. A história é um círculo fechado que se repete eternamente com seus episódios e acontecimentos, com suas desordens e seus males. Diante de tudo isso, só resta ao homem duas atitudes: a negação, ou seja, o pessimismo e o niilismo; e a afirmação, ou seja, a alegre aceitação do mundo tal qual é, com todos os seus aspectos. Mas somente são capazes desta segunda atitude aqueles indivíduos excepcionais que não se deixam abater ou desviar pelas circunstâncias.<strong></strong></p>



<p><strong>Referência Bibliográfica</strong></p>



<p><em>A sabedoria da Filosofia</em>, de Nicola Abbagnano</p><p>The post <a href="https://mateusalvadori.com.br/marx-e-nietzsche-o-ser-humano-o-mundo-e-a-historia/">Marx e Nietzsche: o ser humano, o mundo e a história</a> first appeared on <a href="https://mateusalvadori.com.br">Mateus Salvadori</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>A história é cíclica ou linear?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mateus Salvadori]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Nov 2021 03:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Conceitos básicos]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[história cíclica]]></category>
		<category><![CDATA[história linear]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O elemento essencial da Filosofia da História (FH) – em seu diferenciar-se da historiografia – é a questão do telos, do sentido. A expressão FH é recente: é de 1765, de Voltaire. Porém, a FH vem desde os gregos. O significado do termo história é descrição, relato, narração de acontecimentos. Para os fundadores da historiografia&#8230;&#160;<a href="https://mateusalvadori.com.br/a-historia-e-ciclica-ou-linear/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">A história é cíclica ou linear?</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O elemento essencial da Filosofia da História (FH) – em seu diferenciar-se da historiografia – é a questão do telos, do sentido. A expressão FH é recente: é de 1765, de Voltaire. Porém, a FH vem desde os gregos. O significado do termo história é descrição, relato, narração de acontecimentos. Para os fundadores da historiografia ocidental, Heródoto e Tucídides, um acontecimento é histórico (e não arqueológico) apenas quando é narrado ou registrado por alguém que esteve presente. Isso significa que a história são histórias, relatos de fatos isolados. A FH, porém, busca o sentido a partir de um paradigma hermenêutico e não simplesmente conhecer a matéria bruta constituída pelas ações humanas. E essa transformação iniciou-se com Políbio (séc. II a.C.).</p>



<p>A primeira concepção filosófica sobre a história que surgiu, com os gregos e os romanos antigos, foi a CÍCLICA. O tempo histórico era circular, repetitivo, determinista, inexorável, fatalista, periódico, com fases de nascimento, desenvolvimento, declínio e desaparecimento que se alternam e se repetem ao infinito. Essa visão foi baseada na observação do cosmo, na revolução dos corpos celestes, na alternância infinda de fenômenos naturais. Sem começo nem fim, o tempo cíclico é um eterno retorno. Uma vez que nenhum evento é absoluto, o tempo cíclico repousa na permanente sequência de ciclos repetitivos.</p>



<p>O seu movimento circular contínuo é caracterizado pelo perpétuo retorno de momentos. Isso significa que a história não comporta nenhum fato singular. Pelo contrário, a história é marcada pela reedição de acontecimentos passados. Portanto, o tempo para os gregos antigos não passa de um círculo inexorável – sem saída e sem fim. Tudo está condenado a girar eternamente na roda da história. Destaque, nesta visão, para a mitologia grega, Platão, Aristóteles, Vico, Nietzsche e Spengler.</p>



<p>Na mitologia grega, o que rege o mundo é o fado: um destino cego, traçado nas estrelas. A própria palavra grega que indica “ano” – aniatus – serve para definir tudo aquilo que é circular, como um anel. A ideia de círculo (annus, anus, annulus) ligada a ano diz respeito à circularidade deste. Em vários mitos, a ideia de repetição incessante é tratada concretamente, onde um indivíduo, castigado por alguma falta, é condenado pelos deuses a sofrer um castigo eterno que nunca cessa, pois uma vez terminada a pena, ela recomeça (ex.: mito de Prometeu, de Sísifo).</p>



<p>Para Aristóteles, a história cíclica correspondia à perfeição do círculo e da esfera, dada a eternidade do mundo. Segundo Vico, as nações humanas passam inevitavelmente através de certas fases de desenvolvimento. Para ele, compreender a ação da Providência equivale a reconhecer as leis universais (das concepções imaginativas para as racionais, das concepções políticas baseadas na força para as fundadas na justiça, da aceitação do privilégio para o reconhecimento do direito).</p>



<p>A segunda concepção filosófica sobre a história foi a LINEAR, progressiva, orientada. Agostinho e Joaquim de Fiore são os principais teóricos dessa visão. O cristianismo aponta um tempo retilíneo, que tem início na criação (Gênesis) e término no juízo final (Apocalipse), desenvolvendo-se no âmbito da liberdade humana.<br>Porém, na Renascença, o modelo cíclico de história volta a ocupar um lugar fundamental. Mas, no final do séc. XVII, a visão linear retorna ao auge, com Bossuet, que retoma as ideias de Agostinho. E é com o Iluminismo que a FH cristã entra definitivamente em crise.</p>



<p>A perspectiva linear de tempo nasceu com a tradição judaico-cristã. O tempo linear é uma sucessão contínua de eventos irrepetíveis e irreversíveis. O seu movimento é retilíneo – reta ininterrupta de registros históricos singulares. A sua trajetória é circunscrita por uma linha histórica determinada – tem começo e fim. Como traço histórico perpétuo, o tempo linear é uma série evolutiva de fatos históricos inéditos. Trata-se do curso progressivo de acontecimentos únicos em direção ao futuro.</p>



<p>A SECULARIZAÇÃO (VISÃO LINEAR) das concepções religiosas e teológicas, na Modernidade, não fará outra coisa senão confirmar a visão linear. A Providência divina é substituída pela ideia de progresso. A salvação do homem e o juízo final são substituídos pela confiança na razão. Finalismo e necessidade, no entanto, não são questionados: eles continuam sendo os pilares da história secularizada. Dentre os Iluministas, Montesquieu é o único que pensa que a história é descontínua e irregular. Os demais acreditam que há sim um telos histórico: o progresso. Destaque para as teorias de Kant, Hegel, Marx e Comte.</p>



<p>A CRISE (ATELEOLOGIA) na FH, ou seja, a negação do sentido (telos) histórico ocorre no séc. XX, por meio de duras críticas às ideias de progresso, de verdade e de finalidade. Absurdo, irracionalidade, caos, acaso, ilogicidade são os termos-chave desse período.</p>



<p><strong>Referência Bibliográfica</strong> </p>



<p>PECORARO, Rossano. <em>Filosofia das História</em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2009.</p><p>The post <a href="https://mateusalvadori.com.br/a-historia-e-ciclica-ou-linear/">A história é cíclica ou linear?</a> first appeared on <a href="https://mateusalvadori.com.br">Mateus Salvadori</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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