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	<title>leitura - Mateus Salvadori</title>
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		<title>O meu encontro com as grandes mentes da humanidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mateus Salvadori]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Jan 2023 17:27:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Escrever sempre foi uma paixão. Lembro que quando comecei a escrever meus primeiros versos e contos, tinha em torno de 14 anos. E foi neste momento também que me tornei leitor. Gosto de pensar que sou leitor, escritor e professor. Eu me tornei leitor não porque amava ler, mas porque decidi que queria ser intelectual,&#8230;&#160;<a href="https://mateusalvadori.com.br/o-meu-encontro-com-as-grandes-mentes-da-humanidade/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">O meu encontro com as grandes mentes da humanidade</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Escrever sempre foi uma paixão. Lembro que quando comecei a escrever meus primeiros versos e contos, tinha em torno de 14 anos. E foi neste momento também que me tornei leitor. Gosto de pensar que sou leitor, escritor e professor. Eu me tornei leitor não porque amava ler, mas porque decidi que queria ser intelectual, que queria dedicar a minha vida aos livros. Hoje, vivo lendo, escrevendo e dando aulas. Ganho a vida preparando textos e, para conseguir escrever, uso da leitura para o suporte que necessito. Ou seja, leio para poder escrever e escrevo para poder viver.</p>



<p>Antes de começar qualquer texto, gosto de criar um “clima”. Meu encontro com a escrita é similar ao primeiro encontro de dois apaixonados. É um momento único e sempre dá aquele friozinho na barriga. As palavras que estão sendo escritas agora são palavras que o leitor irá consumir. Escrever tem, muitas vezes, mais poder que armas. A escrita gera revoluções. Sem o “clima” na hora da escrita, as coisas podem se tornar automáticas. E isso eu não quero. A vida é curta demais para vivermos de maneira automática. O “clima” faz com que momentos sejam eternos.</p>



<p>Lembro que comecei a fazer isso quando li uma carta de Maquiavel ao seu amigo Vettori, que foi escrita no dia 10 de dezembro de 1513. Na carta, Maquiavel descreve seus dias melancólicos. Ele prepara armadilhas aos pássaros, manda cortar as árvores de seu bosque, conversando com os lenhadores. Lê Dante, Petrarca, ou as apaixonadas queixas de Tibulo, de Ovídio. A taberna o tem como frequentador; ali, colhe, dos fregueses de passagem, informações sobre as terras de onde vêm; ali avilta-se jogando gamão, entre inúmeras altercações e palavras grosseiras, com o taberneiro, o moleiro, o açougueiro e dois operários do foro de cal. Mas, chegando a noite, muda o cenário, pois Maquiavel retira-se ao gabinete de trabalho, entre os seus livros, tesouros de obras antigas. Diz Maquiavel: deponho à entrada as roupas enlameadas de todo dia, visto-me como para apresentar-me nas Cortes e perante os reis&#8230; Vestido como convém, penetro nas Cortes antigas dos homens de outrora, que me recebem com amizade; a seu lado, encontro o único alimento que me é próprio e para o qual nasci. Sem falso pudor, ouso conversar com eles e perguntar-lhes as causas de suas ações; e, tão grande é a sua humanidade, que me respondem. Durante quatro longas horas, não sinto mais aborrecimento algum, esqueço todas as misérias, não mais receio a pobreza, não mais me atemoriza a morte, transporto-me inteiramente a eles.</p>



<p><strong>Lendo esta carta, percebi a riqueza que eu tinha simplesmente acessando livros</strong>. Eu era rico, pois poderia acessar, nos livros, o que considero fundamental para a nossa vida: o conhecimento. Por meio deles, eu também poderia me encontrar com as grandes mentes da humanidade. Hoje, temos acesso a isso, mas poucos acabam utilizando desta vantagem. Quem, hoje em dia, se dedica a leitura de uma&nbsp;<em>Ética a Nicômaco</em>&nbsp;ou de uma&nbsp;<em>Crítica da Razão Pura</em>? Apenas os poucos estudantes de filosofia e apaixonados por ela. Mas são poucos. Muitos acabam lendo livros que pouco agregam. Muitos acabam passando pela vida sem nem sequer se dar conta da riqueza que eles poderiam acessar lendo livros sobre o que os atormenta.</p>



<p>Claro que não estou aqui separando o grupo de leitores do grupo de não leitores. Estou apenas tentando “gritar”, por meio destas palavras que estou escrevendo, que&nbsp;<strong>a riqueza que possuímos nos livros é inesgotável</strong>. Ordine, na obra&nbsp;<em>A utilidade do inútil</em>, diz: “Será preciso lutar muito nos próximos anos para salvar dessa deriva utilitarista não somente a ciência, a escola e a universidade, mas também tudo o que chamamos ‘cultura’. Será preciso resistir à dissolução programada do ensino, da pesquisa científica, dos clássicos e dos bens culturais, porque sabotar a cultura e a educação significa sabotar o futuro da humanidade. Há poucos anos tive a ocasião de ler uma frase simples, mas muito significativa, inscrita numa indicação de uma biblioteca de manuscritos num oásis perdido do Saara: ‘O conhecimento é uma riqueza que se pode transmitir sem se empobrecer.’ Somente o saber, ao desafiar os paradigmas dominantes do lucro, pode ser compartilhado sem empobrecer quem o transmite e quem o recebe. Na verdade, os enriquece”.</p>



<p>Se pensarmos na filosofia, que é a área que atuo, ela é um conhecimento que todo o ser humano deve buscar para refletir sobre si mesmo e sobre o mundo. Pense comigo: as mentes mais brilhantes da humanidade desenvolveram reflexões sobre temas importantes para a nossa vida como felicidade, amor, trabalho, conhecimento, prazer, ética, desenvolvimento pessoal, entre outros.&nbsp;<strong>Não seria um desperdício passar pela vida sem contar com a sabedoria destes grandes pensadores?</strong></p>



<p>Finalizo este texto citando Habermas, em uma entrevista que ele deu ao&nbsp;<em>El país</em>, de 2018. Diz ele: “Desde a invenção do livro impresso, que transformou todas as pessoas em leitores potenciais, foi preciso passar séculos até que toda a população aprendesse a ler. A Internet, que nos transforma todos em autores potenciais, não tem mais do que duas décadas. A Internet abriu milhões de nichos subculturais úteis nos quais se troca informação confiável e opiniões fundamentadas. O que me irrita é o fato de que se trata da primeira revolução da mídia na história que serve antes de tudo a fins econômicos, e não culturais. [&#8230;] Não pode haver intelectuais comprometidos se já não há mais leitores a quem continuar alcançando com argumentos”.</p><p>The post <a href="https://mateusalvadori.com.br/o-meu-encontro-com-as-grandes-mentes-da-humanidade/">O meu encontro com as grandes mentes da humanidade</a> first appeared on <a href="https://mateusalvadori.com.br">Mateus Salvadori</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Vamos voltar a ler os clássicos?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mateus Salvadori]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Nov 2022 20:30:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[leitura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nuccio Ordine, na obra&#160;A utilidade do inútil, ressalta que os estudantes passam longos anos nas aulas de uma escola ou de uma universidade sem jamais ler os clássicos. Nutrem-se de resumos, de manuais e de sinopses. Se lermos apenas resumos, jamais nos aproximaremos do poder que um clássico possui. Não é possível conceber qualquer forma&#8230;&#160;<a href="https://mateusalvadori.com.br/vamos-voltar-a-ler-os-classicos/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Vamos voltar a ler os clássicos?</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Nuccio Ordine, na obra&nbsp;<em>A utilidade do inútil</em>, ressalta que os estudantes passam longos anos nas aulas de uma escola ou de uma universidade sem jamais ler os clássicos. Nutrem-se de resumos, de manuais e de sinopses. Se lermos apenas resumos, jamais nos aproximaremos do poder que um clássico possui. Não é possível conceber qualquer forma de educação sem os clássicos.<strong></strong></p>



<p>Ninguém nasce leitor; nos tornamos leitores. Ninguém nasce com sede dos clássicos; a sede é construída. Assim como podemos ter sede de banalidades, podemos sim, pelo hábito e pela prática, ter sede de singularidades. E aqui entra a crítica às banalidades, às superficialidades, ao entretenimento vazio, à indústria cultural.<strong></strong></p>



<p>Quase 2000 anos antes de Domenico De Masi, o Ócio Criativo já era defendido por Sêneca, que interpreta o ócio mais do que tempo livre ou lazer. Entendia-o como sendo o lazer utilizado a serviço da comunidade pela atividade intelectual.&nbsp;<strong>Não fazer nada nem sempre é viver o ócio, é deixar a vida passar sem viver essa dádiva</strong>.</p>



<p>O ensaio “A indústria cultural”, do livro&nbsp;<em>Dialética do Esclarecimento</em>&nbsp;(1944), de Adorno e Horkheimer, diz:<strong></strong></p>



<p>1) o termo indústria refere-se à&nbsp;racionalização dos procedimentos de planejamento, à&nbsp;consequente padronização dos produtos&nbsp;e à&nbsp;racionalização das técnicas de divulgação;<strong></strong></p>



<p>2) o termo cultura pode ser esclarecido por meio da&nbsp;diferença entre obra de arte&nbsp;(finalidade interna e ela é o âmbito da expressão do singular)&nbsp;e produto da IC&nbsp;(a finalidade é externa, localizando-se no mercado, na imposição do lucro, na mercantilização da cultura) – ambas são mercadorias &#8211; e pela&nbsp;falta de caráter contraditório.<strong></strong></p>



<p>Rodrigo Duarte (<em>Indústria Cultural: uma introdução</em>) identifica esquematicamente &#8220;cinco operadores&#8221; da indústria cultural na obra&nbsp;<em>Dialética do Esclarecimento</em>:<strong></strong></p>



<p><strong>1)&nbsp;manipulação retroativa:</strong>&nbsp;os produtos culturais são criados para atender às demandas de lazer das massas; HOJE: na internet, ainda se atende à demanda de lazer das massas e se impõem determinados padrões de consumo e de comportamento moral e político;</p>



<p><strong>2)&nbsp;usurpação do esquematismo:</strong>&nbsp;a IC oferece produtos que já vem com sua própria interpretação; a televisão e o rádio usurpavam a capacidade do sujeito de interpretar os dados identificados pelos sentidos; HOJE: sem precisar refletir e interpretar conteúdos, o sujeito percebe a realidade no âmbito virtual e acreditar que a realidade é o que está na rede;</p>



<p><strong>3)&nbsp;domesticação de estilo:</strong>&nbsp;a IC tira a autonomia dos artistas; HOJE: “a precariedade dos conteúdos emitidos pela maioria das pessoas deveria ser vista como uma consequência da colonização dos intelectos das massas pela indústria cultural”;</p>



<p><strong>4)&nbsp;despotencialização do trágico:</strong>&nbsp;transformação de uma catarse genuína em simples entretenimento e numa ressignificação simplificada, sem atividade subjetiva; HOJE: culto à espetacularização do eu;</p>



<p><strong>5)&nbsp;fetichismo da mercadoria cultural:</strong>&nbsp;substituição de um valor de uso pelo valor de troca; HOJE: objetificam simbolicamente todas as relações.</p>



<p>Sêneca, em&nbsp;<em>Sobre a brevidade da vida</em>, propõe uma vida gratificante, que é a prática do ócio. Diz ele que nossa ocupação é viver aquilo que não é nosso:&nbsp;<em>“se queres viver bem, vive o que é bom para ti, vive o ócio criativo.”</em>&nbsp;Tanto a ação e a contemplação são importantes para termos uma boa vida, para fazer valer os anos de vida que cada um possui.<strong></strong></p>



<p><strong>Referências Bibliográficas</strong></p>



<p>ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. <em>Dialética do esclarecimento</em>. São Paulo: Zahar, 1985.</p>



<p>DE MASI, Domenico. <em>O Ócio Criativo</em>. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2001.</p>



<p>DUARTE, Rodrigo. <em>Indústria Cultural</em>: uma introdução. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2010.</p>



<p>ORDINI, Nuccio. <em>A utilidade do inútil</em>: um manifesto. Rio de Janeiro: Zahar, 2016.</p>



<p>SÊNECA. <em>Sobre a brevidade da vida</em>. São Paulo: Edipro, 2020.</p><p>The post <a href="https://mateusalvadori.com.br/vamos-voltar-a-ler-os-classicos/">Vamos voltar a ler os clássicos?</a> first appeared on <a href="https://mateusalvadori.com.br">Mateus Salvadori</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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