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	<title>Mateus Salvadori</title>
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	<title>Mateus Salvadori</title>
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		<title>Hipátia de Alexandria, uma mulher entre os homens</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mateus Salvadori]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Mar 2024 22:07:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Hipátia de Alexandria foi uma filósofa, matemática e astrônoma do final do século IV e início do século V, considerada uma das primeiras mulheres a fazer contribuições significativas para a filosofia e a ciência. Embora muitos de seus trabalhos tenham sido perdidos ao longo dos séculos, podemos identificar algumas ideias filosóficas importantes associadas a ela:&#8230;&#160;<a href="https://mateusalvadori.com.br/hipatia-de-alexandria-uma-mulher-entre-os-homens/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Hipátia de Alexandria, uma mulher entre os homens</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Hipátia de Alexandria foi uma filósofa, matemática e astrônoma do final do século IV e início do século V, considerada uma das primeiras mulheres a fazer contribuições significativas para a filosofia e a ciência. Embora muitos de seus trabalhos tenham sido perdidos ao longo dos séculos, podemos identificar algumas ideias filosóficas importantes associadas a ela:</p>



<p>1)<strong>&nbsp;Neoplatonismo</strong>: ela ensinou e desenvolveu conceitos neoplatônicos, como a “hierarquia dos seres” e a “busca pela unidade com o Uno”, a fonte de toda a realidade.</p>



<p>2)<strong>&nbsp;Filosofia Moral</strong>: ela enfatizou a importância da virtude e da sabedoria na vida humana. Ela se concentrou em como viver uma vida virtuosa e alcançar a excelência moral.</p>



<p>3)<strong>&nbsp;Educação e Ensino</strong>: Hipátia era conhecida por sua atuação como professora e palestrante. Ela valorizava a educação e a busca pelo conhecimento como meios de aprimorar a mente e o caráter. Sua abordagem ao ensino enfatizou a importância do pensamento crítico e da reflexão.</p>



<p>4)<strong>&nbsp;Sincretismo</strong>: Hipátia estava envolvida em um contexto cultural diversificado, onde diferentes tradições religiosas e filosóficas se cruzavam. Ela trabalhou na síntese de ideias provenientes de várias tradições, promovendo um diálogo interdisciplinar e intercultural.</p>



<p>5)<strong>&nbsp;Empoderamento Feminino</strong>: Hipátia é frequentemente citada como um exemplo de uma mulher que desafiou as limitações sociais e se destacou em um campo dominado por homens. Sua vida e trabalho podem ter contribuído para inspirar outras mulheres a buscar o conhecimento e a excelência intelectual.</p>



<p><strong>Três teses atribuídas a Hipátia são:</strong></p>



<p>1) “<strong>Compreender as coisas que nos rodeiam é a melhor forma para compreender o que está mais além</strong>”: esse pensamento com base naturalista nos convida a observar a natureza e observar o que é imanente para, assim, compreender o que está além, o metafísico.</p>



<p>2) “<strong>Todas as religiões dogmáticas são falaciosas e não devem ser aceitas por uma questão de autorrespeito</strong>”: aqui temos uma ética não apenas do respeito aos outros, mas também do autorrespeito; não devemos aceitar falácias; as religiões que não permitem que possamos conversar sobre questões religiosas e são, assim, autoritárias, não devem ser aceitas por uma questão de honestidade intelectual; não devemos aceitar dogma algum.</p>



<p>3) “<strong>Reserve o seu direito a pensar, pois mesmo errado é melhor do que não pensar</strong>”: aqui temos um forma de iluminismo, pois devemos sempre pensar por conta própria, mesmo errando, pois isso é melhor do que seguir de forma cega doutrinas dogmáticas ou viver na ignorância por não pensar. Ela nos convida a sermos Filósofos.</p>



<p>Hipátia de Alexandria foi uma figura notável da antiguidade que desempenhou um papel crucial na preservação e transmissão do conhecimento clássico durante um período de transição histórica.<br><br>Sua influência intelectual perdura até os dias de hoje. Hipátia não apenas contribuiu para o desenvolvimento da matemática e da filosofia, mas também desafiou as normas sociais de sua época ao se destacar em um mundo dominado por homens.<br><br>Sua trágica morte em 415 d.C. simboliza a luta entre o conhecimento e a intolerância, destacando a importância de proteger e valorizar o pensamento livre e a igualdade de gênero na busca do progresso humano.<br></p>



<p>Em um vídeo para o meu canal do YouTube, falo mais sobre Hipátia de Alexandria! Se quiser saber mais sobre essa filósofa inspiradora, clique <a href="https://youtu.be/-2Hn6493c2o?si=Ru1KrC_EQKdiq8tc" target="_blank" rel="noreferrer noopener" title="https://youtu.be/-2Hn6493c2o?si=Ru1KrC_EQKdiq8tc">aqui</a> para assistir.</p>



<p><strong>Referências Bibliográficas</strong></p>



<p><em>A Biblioteca de Alexandria: as Histórias da Maior Biblioteca da Antiguidade</em>, de Derek Adie Flower</p>



<p><em>Filósofas: O legado das mulheres na história do pensamento mundial</em>, de Natasha Hennemann e Fabiana Lessa</p>



<p><em>Hipátia de Alexandria: a Matemática, Astrônoma e Filósofa Lendária</em>, de Lindamir Salete Casagrande</p>



<p><em>História das mulheres – livro 1: a antiguidade</em>, de Geroges Duby e Michelle Perrot</p>



<p><em>Hypatia: The Life and Legend of an Ancient Philosopher</em>, de Edward J Watts</p>



<p><em>Maneiras trágicas de matar uma mulher: imaginário da Grécia antiga</em>, de Nicole Loraux</p><p>The post <a href="https://mateusalvadori.com.br/hipatia-de-alexandria-uma-mulher-entre-os-homens/">Hipátia de Alexandria, uma mulher entre os homens</a> first appeared on <a href="https://mateusalvadori.com.br">Mateus Salvadori</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>O filósofo fornece razões para as opiniões</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mateus Salvadori]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Mar 2024 19:16:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[por que estudar filosofia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Se você se sentar em silêncio no fundo da classe em uma aula de Filosofia, vai ouvir pessoas expressando pontos de vista sobre tópicos bem abstratos. Entretanto, elas não estão apenas expondo opiniões. Seus ouvintes não apenas exigem razões para essas opiniões, como as próprias pessoas falando se concentram mais em suas razões do que&#8230;&#160;<a href="https://mateusalvadori.com.br/o-filosofo-fornece-razoes-para-as-opinioes/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">O filósofo fornece razões para as opiniões</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Se você se sentar em silêncio no fundo da classe em uma aula de Filosofia, vai ouvir pessoas expressando pontos de vista sobre tópicos bem abstratos. Entretanto, elas não estão apenas expondo opiniões. Seus ouvintes não apenas exigem razões para essas opiniões, como as próprias pessoas falando se concentram mais em suas razões do que em suas opiniões, e podem até oferecer objeções aos seus próprios pontos de vista.&nbsp;<strong>O estudo das razões para as opiniões está no cerne da Filosofia</strong>.</p>



<p>Obviamente, uma discussão racional sobre Direito ou jardinagem também está interessada nas razões para cada opinião, mas a Filosofia tem também uma temática muito distinta. Os filósofos tentam compreender o mundo. Todavia, muitas outras disciplinas – como Física, Química, Estatística, Biologia, Literatura, Geografia e História – buscam a mesma coisa.</p>



<p>Os filósofos fazem perguntas mais gerais: O que é um objeto? Uma lei? Um número? Uma vida? Uma pessoa? Uma sociedade? Uma história? Um evento? Cada um desses conceitos é tomado como algo certo por falantes comuns, até nos perguntarmos exatamente o que cada um deles significa – e é aí que os enigmas, ambiguidades e imprecisões começam. Outras disciplinas devem presumir que já conhecem o significado dessa terminologia comum, enquanto a Filosofia tenta não tomar nada como certo.</p>



<p>Filósofos se concentram nos conceitos essenciais que formam a base para o nosso pensamento. As ideias estão em nossas mentes, mas se referem ao mundo exterior, e o objetivo é pensar mais claramente de modo a compreender o mundo mais claramente. A Filosofia busca a clareza, mas sua característica fundamental é sua natureza altamente generalizada. Especialistas investigam o mundo físico, ou o passado, ou como melhorar nossas vidas na prática, enquanto a Filosofia busca entender a estrutura da nossa compreensão. Todos nós queremos fazer a coisa certa e ser uma boa pessoa, mas o que torna algo &#8220;certo&#8221; ou &#8220;bom&#8221;? Queremos viver em uma sociedade justa, mas o que é &#8220;justiça&#8221;?</p>



<p><strong>Podemos, portanto, definir a Filosofia como a tentativa de compreender a realidade e a vida humana em termos bem gerais, estudando ideias essenciais ao nosso pensamento para formar uma imagem guiada por boas razões</strong>. A maioria das obras filosóficas famosas se encaixa nessa descrição, exceto por alguns desajustados. Os filósofos tendem a questionar tudo, até a natureza de sua própria área de estudo.</p>



<p>Na Grécia Antiga, a Filosofia era estudada principalmente por meio de conversacões nas escolas famosas, com livros sendo um resultado ocasional. Na Europa medieval, o foco principal residia em explicar os famosos textos antigos que haviam sobrevivido, especialmente os de Aristóteles. Com a chegada da imprensa, tornou-se possível dar uma ampla circulação a novos livros, e a Filosofia centrou-se no debate escrito entre os principais eruditos, que com frequência viviam isolados uns dos outros. O surgimento de várias universidades novas no século XIX mudou imensamente a prática da Filosofia e, hoje em dia, os principais filósofos, em sua maior parte, passam suas carreiras dentro dos departamentos das universidades. O seminário universitário moderno lembra as conversações das escolas antigas, mas também existem inúmeros trabalhos publicados em revistas especializadas, com respostas críticas de colegas, e conferências internacionais regulares que se concentram nos tópicos especializados dentro da Filosofia.</p>



<p><strong>Referência</strong> <strong>Bibliográfica</strong></p>



<p><em>Filosofia para quem não é filósofo, </em>de Peter Gibson</p><p>The post <a href="https://mateusalvadori.com.br/o-filosofo-fornece-razoes-para-as-opinioes/">O filósofo fornece razões para as opiniões</a> first appeared on <a href="https://mateusalvadori.com.br">Mateus Salvadori</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Como você pode se tornar um “Atleta da inteligência”?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mateus Salvadori]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Feb 2024 18:41:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quem pode ter uma vida de estudos, ou seja, fazer do seu trabalho intelectual sua própria vida?  1) Tanto os que têm todo o seu tempo para se dedicar aos estudos; 2) Como também os que têm ocupações profissionais e reservam para si um tempo para os estudos. A seguir, vou compartilhar alguns ensinamentos presentes no capítulo&#8230;&#160;<a href="https://mateusalvadori.com.br/como-voce-pode-se-tornar-um-atleta-da-inteligencia/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Como você pode se tornar um “Atleta da inteligência”?</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Quem pode ter uma vida de estudos, ou seja, fazer do seu trabalho intelectual sua própria vida? </p>



<p>1) Tanto os que têm todo o seu tempo para se dedicar aos estudos; </p>



<p>2) Como também os que têm ocupações profissionais e reservam para si um tempo para os estudos. A seguir, vou compartilhar alguns ensinamentos presentes no capítulo 1 A vocação intelectual (I. O intelectual é um consagrado), da obra <em>A vida intelectual</em>, de Sertillanges.</p>



<p>Uma vida de estudos não se satisfaz com vagas leituras e pequenos trabalhos dispersos. Exige penetração, continuidade e um trabalho metódico. A vida de estudos é austera e impõe pesadas obrigações. Ela recompensa, mas requer uma dedicação de que poucos são capazes. Os “atletas da inteligência”, como os do esporte, devem prever privações, longos treinamentos e uma tenacidade às vezes sobre-humana.</p>



<p>Muitos desejariam saber. Obter sem pagar é um desejo universal;&nbsp;mas é o desejo de corações covardes e de cérebros enfermos.</p>



<p>Muitas pessoas têm a pretensão de terem uma vida de estudos, mas desperdiçam seus dias e sua força: ou não trabalham e sobra-lhes tempo ou trabalham mal, sem saber como trabalhar e em que lugar querem chegar.</p>



<p>“O gênio é uma longa paciência”, mas uma paciência organizada, inteligente.<strong>&nbsp;Não é possível ter uma inteligência extraordinária para se destacar e realizar o que se deseja: o elemento essencial é a energia, a vontade, a garra, o entusiasmo</strong>. É como se dá com um trabalhador econômico e fiel a sua tarefa: ele a cumpre, enquanto o inventor (o gênio) é muitas vezes um fracassado e amargurado.</p>



<p>Não é preciso ser gênio; não é preciso ter todo o seu tempo para se dedicar aos estudos.&nbsp;<strong>Basta disciplina</strong>. A disciplina é uma grande escola: ensina às pessoas de estudo a ampliar suas possibilidades. Coagido, concentra-se mais, aprende o valor do tempo, refugia-se com entusiasmo nessas raras horas em que, cumprido o dever, abraça seu ideal.</p>



<p>Pobre tartaruga laboriosa, não se diverte, persevera, e ao cabo de poucos anos terá ultrapassado a lebre insolente cujo andar desenvolto causava inveja a seu dificultoso caminhar.</p>



<p>Podemos ter tudo contra nós: sem tempo, sem livros, sem ambiente&#8230; Mesmo assim, devemos preservar um coração ardente, pois esse tem mais chance de triunfar, mesmo em pleno deserto.&nbsp;<strong>O que mais vale é o querer</strong>.</p>



<p>Você que tem apenas duas horas por dia, pode comprometer-se e dedicar-se a empregá-las ardentemente. Essas duas horas já são suficientes para uma vida de estudos. Aprenda a administrar esse pouco tempo.</p>



<p><strong>Referência</strong><strong>&nbsp;</strong><strong>Bibliográfica</strong></p>



<p><em>A vida intelectual</em>, de Sertillanges</p><p>The post <a href="https://mateusalvadori.com.br/como-voce-pode-se-tornar-um-atleta-da-inteligencia/">Como você pode se tornar um “Atleta da inteligência”?</a> first appeared on <a href="https://mateusalvadori.com.br">Mateus Salvadori</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Rostos, experiências e livros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mateus Salvadori]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Oct 2023 11:39:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[levinas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Muitas experiências nos tornam pessoas melhores. Muitos livros de filosofia nos tornam pessoas melhores. Será que podemos olhar para alguém e dizer que o conhecemos? Possivelmente você já escutou de alguém que ao tomar contato com outra pessoa pela primeira vez já sabe dizer se ela presta ou não. E você já deve ter escutado&#8230;&#160;<a href="https://mateusalvadori.com.br/rostos-experiencias-e-livros/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Rostos, experiências e livros</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Muitas experiências nos tornam pessoas melhores. Muitos livros de filosofia nos tornam pessoas melhores.</p>



<p>Será que podemos olhar para alguém e dizer que o conhecemos? Possivelmente você já escutou de alguém que ao tomar contato com outra pessoa pela primeira vez já sabe dizer se ela presta ou não. E você já deve ter escutado muito a frase: “a primeira impressão é a que fica”. Claro que isso tudo somente é verdadeiro se negarmos ao outro a possibilidade de mostrar-se. O que deveríamos fazer? Simples: deixar o outro mostrar-se, sem rótulos prévios. Assim, não teríamos como rotulá-lo ou classificá-lo. Porém, isso exige uma apurada sensibilidade e é justamente isso que falta para muitos.</p>



<p>Imagine a seguinte situação: você está na fila de um banco e, involuntariamente, você olha para o rosto de uma pessoa e ela está olhando para o seu. Não me refiro a um olhar que se busque, mas àquela troca de olhares involuntária. Como você normalmente reagiria a essa situação? O comum é mudar de direção rapidamente quando isso ocorre. Por quê? Porque o rosto do outro constrange. Quantas vezes, mesmo estando em meio a uma multidão, nos sentimos sós? Podemos estar caminhando no centro de uma cidade lotada de pessoas, mas, ao mesmo tempo, estar num absoluto anonimato. Ficar junto a outras pessoas não significa que haja relações e isso é o que normalmente ocorre. O outro, se não houver alguma abertura da nossa parte, poderá nada significar.</p>



<p>Levinas, em sua ética da alteridade, diz que o outro se mostra como rosto. O rosto não é algo objetivo, não é a parte corporal, mas uma figura do além do visível.&nbsp;<strong>“A verdadeira essência do ser humano se apresenta em seu rosto”</strong>. O rosto do outro ocorre como uma revelação do outro em sua fragilidade e, justamente por isso, o outro nos chama a uma resposta responsável. Portanto, é a ética que inaugura a humanidade do ser humano, ou seja, aquilo que nos torna humanos é justamente a capacidade que temos de nos sensibilizarmos frente à fragilidade do outro. E quando isso ocorre, nos sentimos responsáveis por ele.</p>



<p>Na obra&nbsp;<em>Totalidade e infinito</em>, de 1961, ele diz que “a moral não é um ramo da filosofia, mas a filosofia primeira” e essa moral é para o tempo presente. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele foi capturado e feito prisioneiro pelos alemães. Este fato histórico nos ajuda a entender a sua teoria ética. No cativeiro, veio se juntar aos prisioneiros um cachorro, que chamaram de Bobby. O cachorro era um companheiro daqueles homens insignificantes. Por isso, para Bobby, eles eram seres humanos. Levinas conclui que aquele cachorro era o “último kantiano na Alemanha nazista”. Bobby, por brincar com os prisioneiros, é mais humano que o humano. Claro que não no sentido valorativo, mas no sentido de que aquele cão, contrariamente aos nazistas, nota o outro e, por isso, é capaz de abertura.</p>



<p><strong>Quantos são os rostos anônimos, os rostos invisíveis, os rostos que a sociedade não permite que se mostrem?</strong>&nbsp;Quais são os rostos de quem varre as ruas, de quem nos serve nos restaurantes, de quem limpa as nossas casas, de quem nos entrega as encomendas, de quem dorme nas calçadas? Esses são rostos invisíveis para a maioria das pessoas. Por que essa invisibilidade existe? Esta invisibilidade não ocorre porque o outro não tem um rosto, mas porque não há uma acolhida. Mas alteridade também não é achar que sabemos o que é melhor para o outro, porque isso é inacessível.</p>



<p>Levinas diz que é a sensibilidade, anterior a toda a razão, que nos permite perceber o rosto do outro como um apelo ao qual nos cabe responder eticamente. E tal responsabilidade é anterior à própria liberdade, ou seja, antes de escolhermos ser responsáveis pelo outro, o que está em jogo é a nossa condição humana. Somente após uma resposta responsável diante da fragilidade do outro é que a liberdade importará. A sua ética da alteridade não é nem principialista (não decidimos a ética no plano da razão e após a aplicamos aos casos concretos) nem contratualista (não há a exigência de reciprocidade. Portanto, não assumo a responsabilidade pelo outro porque ele fará o mesmo por mim, mas assumo por pura gratuidade).</p>



<p>Uma experiência marcante que eu tive foi quando fui voluntário na Pastoral da Criança, em 2003. Passava os meus sábados visitando famílias vulneráveis, conhecendo as suas realidades e vivenciando as suas necessidades. Lembro que uma das minhas tarefas era pesar as crianças. Após alguns anos, estava cursando o 5° semestre da faculdade de filosofia, e acabei me matriculando numa disciplina sobre a obra&nbsp;<em>Totalidade e infinito</em>, de Levinas. Em muitos momentos da leitura da obra, lembrei da minha experiência na Pastoral. Não porque Levinas fala sobre crianças, mas porque ele diz que&nbsp;<strong>nos tornamos humanos quando nos tornamos responsáveis pelo outro</strong>. E eu me sentia responsável por aquelas crianças e famílias que eu visitava.</p>



<p>Tanto a experiência na Pastoral quanto a leitura de Levinas me ensinaram a amar o desconhecido, a querer o seu bem, sem esperar algo em troca; entendi que não podemos olhar o outro a partir das nossas expectativas, mas assumir uma responsabilidade desde o outro mesmo; aprendi que se eu julgar o outro a partir dos meus valores, o julgamento perde a legitimidade. Enfim, hoje, sabendo que muitos são os rostos que não são reconhecidos pela sociedade, entendo que precisamos urgentemente superar este modelo social em que muitas pessoas são relegadas à invisibilidade.</p>



<p>Por isso tudo, deixo registrado aqui meu agradecimento aos livros, às experiências e aos rostos que mudaram o meu olhar.</p><p>The post <a href="https://mateusalvadori.com.br/rostos-experiencias-e-livros/">Rostos, experiências e livros</a> first appeared on <a href="https://mateusalvadori.com.br">Mateus Salvadori</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>O ateísmo na Filosofia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mateus Salvadori]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Oct 2023 19:06:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[ateísmo]]></category>
		<category><![CDATA[ateísmo na filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[tipos de ateísmo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ateísmo (a-theos = sem Deus) significa a negação de Deus; por isso, &#8220;ateu é quem afirma que Deus não existe&#8221;. A negação de Deus não é um fenômeno raro na história da humanidade. Tanto Platão como Fílon denunciam o ateísmo, que atinge sobretudo a juventude, e o condenam como &#8220;um mal gravíssimo&#8221;. No entanto,&#160;como fenômeno&#8230;&#160;<a href="https://mateusalvadori.com.br/o-ateismo-na-filosofia/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">O ateísmo na Filosofia</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Ateísmo (a-theos = sem Deus) significa a negação de Deus; por isso, &#8220;ateu é quem afirma que Deus não existe&#8221;</strong>. A negação de Deus não é um fenômeno raro na história da humanidade. Tanto Platão como Fílon denunciam o ateísmo, que atinge sobretudo a juventude, e o condenam como &#8220;um mal gravíssimo&#8221;. No entanto,&nbsp;<strong>como fenômeno cultural de massa, o ateísmo é típico da época moderna</strong>&nbsp;e precisamente daquele período histórico em que o homem moderno, através de um longo processo de secularização, depois de progressivamente ter excluído Deus de muitas atividades e aspectos da vida humana, afinal chegou à conclusão de que Deus não existe, de que &#8220;Deus morreu&#8221;.</p>



<p><strong>O advento do ateísmo coincide com a retração do idealismo e a sua transformação em materialismo (histórico e dialético)</strong>. O autor dessa reviravolta histórica foi Feuerbach. Logo, porém, outros filósofos do séc. XIX alinharam-se com ele (Marx, Engels, Comte, Schopenhauer, Nietzsche e outros), e mais tarde aderiram ao credo ateu muitos pensadores do séc. XX (Freud, Carnap, Sartre, Camus, Russell, Ayer, Lenin, Marcuse, Adorno, Horkheimer, Bloch e outros).</p>



<p>O conceito de ateísmo, dado que se trata de um termo negativo, deve ser definido em relação a Deus.&nbsp;<strong>Para que haja o ateísmo é necessário, como diz Étienne Gilson, que na negação de Deus esteja incluída também a negação dos seguintes elementos</strong>:</p>



<p>1) Deus deve ser um ser transcendente, isto é, um ser que existe independentemente de mim e do mundo;</p>



<p>2) deve ser também um ser necessário, e que depois de ter sido encontrado não seja preciso buscar sua causa;</p>



<p>3) deve ser a causa de tudo o mais.</p>



<p>É, pois, a negação tanto da existência de Deus quanto daqueles atributos (inteligência, vontade, livre criação do universo, providência) que permitem ao homem assumir, em relação a Deus, uma atitude de respeito, devoção e adoração.</p>



<p>O ateísmo pode assumir várias formas. As principais são três: ESPECULATIVA, PRÁTICA, MILITANTE.</p>



<p>O ATEÍSMO ESPECULATIVO, teorético ou filosófico é uma cosmovisão (um sistema filosófico) que exclui a realidade de Deus. Por exemplo:</p>



<p>1) ao&nbsp;<strong>ateísmo teorético explícito</strong>&nbsp;pertencem os de Nietzsche, Freud, Sartre, Russell, Bloch;</p>



<p>2) ao&nbsp;<strong>ateísmo teorético implícito</strong>&nbsp;pertencem todos os sistemas ligados ao materialismo e ao historicismo, ao positivismo e ao evolucionismo, ao vitalismo e ao existencialismo;</p>



<p>3) o&nbsp;<strong>ateísmo teorético negativo</strong>&nbsp;limita-se a negar a realidade de Deus;</p>



<p>4) o&nbsp;<strong>ateísmo teorético positivo</strong>&nbsp;reivindica para o homem os poderes e os atributos que alienara de si ao criar a figura de Deus;</p>



<p>5) o&nbsp;<strong>ateísmo niilista</strong>&nbsp;mergulha o homem no nada: depois de ter destruído Deus, destrói também o homem.</p>



<p>6)&nbsp; o&nbsp;<strong>ateísmo prometêico</strong>&nbsp;(Prometeu, figura mitológica que roubou o fogo aos deuses para o dar aos homens) pretende fazer do homem o ser supremo; no ateísmo positivo prometêico podemos introduzir outras subdivisões. As mais importantes são as destacadas por H. Küng, na obra&nbsp;<em>Deus existe?</em>:</p>



<p>6.1) o&nbsp;<strong>ateísmo humanista</strong>, motivado pela defesa da grandeza da pessoa individual;</p>



<p>6.2) o&nbsp;<strong>ateísmo político</strong>, que visa à defesa dos direitos da sociedade, especialmente das classes mais fracas;</p>



<p>6.3) e o&nbsp;<strong>ateísmo científico</strong>, que luta pela defesa dos direitos da razão e da ciência.</p>



<p>O ATEÍSMO PRÁTICO é a&nbsp;<strong>atitude daqueles que dizem crer, mas na realidade vivem como se não crescessem, numa plena indiferença religiosa e numa vida completamente materialista</strong>, desprovida de qualquer compromisso com a Transcendência.</p>



<p>O ATEÍSMO MILITANTE é o&nbsp;<strong>ateísmo ativo, até mesmo agressivo, que declara guerra intelectual contra Deus e procura construir uma verdadeira anti-religião e uma aberta antiteologia</strong>. Exemplo típico de ateísmo militante era o praticado pelo Estado soviético e pelo chinês. Os objetivos do ateísmo militante são assim expressos num dicionário filosófico publicado na ex-URSS: &#8220;O ateísmo procura esclarecer as fontes e as causas do nascimento e da existência das religiões, critica as doutrinas religiosas do ponto de vista de uma visão científica do mundo, explica o papel da religião na sociedade e estuda as formas de superação dos preconceitos religiosos. […] O ateísmo marxista é militante. Ele critica a religião sob todos os pontos de vista e em todas as épocas históricas, indicando as vias e os meios para derrotá-la definitivamente. O ateísmo marxista demonstrou que a derrota total da religião só se tornou possível depois da destruição das raízes sociais desta, no curso da construção comunista&#8221;.</p>



<p>Atitudes que apresentam muitas afinidades e, frequentemente, terminam por coincidir com o ateísmo são o agnosticismo e a indiferença religiosa.</p>



<p><strong>Referência</strong></p>



<p><em>Quem é Deus?</em>, de B. Mondin</p><p>The post <a href="https://mateusalvadori.com.br/o-ateismo-na-filosofia/">O ateísmo na Filosofia</a> first appeared on <a href="https://mateusalvadori.com.br">Mateus Salvadori</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Idade é sinônimo de sabedoria?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mateus Salvadori]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Aug 2023 17:32:17 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Bertolt Brecht]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Idade é sinônimo de sabedoria?&#160;Não necessariamente. O vinho aumenta a sua qualidade com o envelhecimento? Não necessariamente. Passei parte da minha infância morando com os meus avós maternos. A minha “nona” era como uma mãe: sempre pronta para fazer o meu lanche preferido e ir pescar após ajudá-la a tirar o leite das vacas. O&#8230;&#160;<a href="https://mateusalvadori.com.br/idade-e-sinonimo-de-sabedoria/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Idade é sinônimo de sabedoria?</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Idade é sinônimo de sabedoria?</strong>&nbsp;Não necessariamente. O vinho aumenta a sua qualidade com o envelhecimento? Não necessariamente.</p>



<p>Passei parte da minha infância morando com os meus avós maternos. A minha “nona” era como uma mãe: sempre pronta para fazer o meu lanche preferido e ir pescar após ajudá-la a tirar o leite das vacas. O meu “nono” era um grande amigo: sempre pronto para sentar-se no gramado e conversar durante horas sobre assuntos aleatórios. Sinto muita falta deles. Se me perguntarem se eles eram sábios, a minha resposta é direta: com certeza! Aprendi muito com eles. E por serem pessoas idosas, associei, na época, idade à sabedoria.</p>



<p>Podemos pensar que a idade melhora as pessoas? Para alguém que toca algum instrumento musical ou se dedica a uma área de estudos, o tempo, com certeza, é um aliado. E este “melhoramento” também pode ser verificado no nível da ética? Pessoas idosas são pessoas mais éticas que os jovens justamente porque viveram mais e perceberam que a ética é sempre a melhor escolha? Claro que não!</p>



<p>Imagine a seguinte situação: você encontra, após 20 anos, um colega seu da faculdade de filosofia. É fácil perceber, numa simples conversa, se ele “evoluiu” enquanto intelectual. Obviamente, se ele se dedicou à “vida intelectual”, ele terá evoluído. Portanto, o tempo é sim um aliado no nosso aperfeiçoamento em muitos sentidos. E eticamente, ele terá evoluído como ele evoluiu enquanto filósofo? Assim como na vida intelectual, a resposta dessa pergunta depende de sua dedicação.</p>



<p>A minha tese aqui é a seguinte: para me tornar um excelente filósofo ou músico, preciso me dedicar, estudando e treinando muito. Para me tornar um sujeito virtuoso, também é necessário muita dedicação e esforço.</p>



<p>Segundo Aristóteles, as qualidades do caráter podem ser dispostas de modo que identifiquemos os extremos e a justa medida. Por exemplo, entre a covardia e a audácia está a coragem, entre a belicosidade e a bajulação está a amizade, entre a indolência e a ganância está a ambição etc. Seguindo o famoso lema grego do “nada em excesso”, Aristóteles formula a ética da virtude baseada na busca pela felicidade. Na&nbsp;<em>Ética a Nicômaco</em>, ele diz: “a virtude é, pois, uma disposição de caráter relacionada com a escolha e consiste numa mediania, isto é, a mediania relativa a nós, a qual é determinada por um princípio racional próprio do homem dotado de sabedoria prática”.</p>



<p>É possível falar que o envelhecimento nos dá necessariamente mais sabedoria prática? Não, porque para avançar na sabedoria prática precisamos do hábito. Assim como eu evoluo num instrumento musical na medida que treino, eu evoluo na sabedoria prática na medida que pratico as virtudes. Tanto as virtudes quanto os vícios estão em nosso poder. Com efeito,<strong>&nbsp;</strong>sempre que está em nosso poder o fazer, também está em nosso poder o não fazer; sempre que está em nosso poder o não, também está em nosso poder o sim. A virtude é um hábito e depende de nossa escolha.</p>



<p>Sabendo que há uma relação entre hábito e tempo, passo agora a distinção dos conceitos “tempo” e “temporalidade”. O tempo que falo aqui é a noção comum de tempo, do tempo físico, do relógio; já a temporalidade escapa à medição do relógio e é algo mais profundo. Pensar a nossa existência metafisicamente, e não simplesmente pelo tempo vivido do relógio, significa pensá-la por meio da noção de temporalidade. Ao encontrar um conhecido seu após 20 anos, você perceberá facilmente se ele viveu apenas imerso no tempo ou se ele viveu a sua existência por meio da temporalidade.</p>



<p><strong>Agora, eu lhe pergunto: você “vive” ou “está vivo”?</strong>&nbsp;O fato de estar vivo pode ser definido biologicamente, mas o fato de viver depende de fatores que não se reduzem às ciências naturais. Para Nietzsche, em&nbsp;<em>Considerações Extemporâneas</em>, a diferença entre viver e estar vivo está no dever que temos de estabelecer metas para nós. As metas devem ser “altas” e “nobres”, exigindo o melhor de nós. “Estar vivo” é existir, mas “viver” exige autodeterminação.</p>



<p>Acredito que meus avós viveram a sua existência na temporalidade. Eu busco isso todos os dias e busco também viver e não simplesmente estar vivo. Como? Cumprindo minhas metas e justificando a minha existência com um propósito. Assim, sei que, ao envelhecer, quando estarei perto da morte, olharei para a minha existência como um todo e constatarei que terei vivido bem a minha vida e não a jogado fora. É isso que eu busco todos os dias.</p>



<p>Finalizo com Bertolt Brecht: “não temas tanto a morte, mas antes a vida inadequada”. Ah, e não se esqueça de escolher sempre bons vinhos, não importando o ano da safra!</p><p>The post <a href="https://mateusalvadori.com.br/idade-e-sinonimo-de-sabedoria/">Idade é sinônimo de sabedoria?</a> first appeared on <a href="https://mateusalvadori.com.br">Mateus Salvadori</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Nietzsche, além-homem e transumanismo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mateus Salvadori]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Aug 2023 19:49:12 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[além homem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com o avanço da Engenharia Genética e com a utilização de células-tronco, cada vez mais podemos aprimorar nossa constituição física, intelectual e emocional, proporcionando a nós e a próxima geração a possibilidade de prolongarmos a nossa existência. A seguir, vou compartilhar alguns ensinamentos presentes no texto&#160;Além-do-homem: jovens para sempre, de Pablo de Araújo Batista. Mas&#8230;&#160;<a href="https://mateusalvadori.com.br/nietzsche-alem-homem-e-transumanismo/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Nietzsche, além-homem e transumanismo</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Com o avanço da Engenharia Genética e com a utilização de células-tronco, <strong>cada vez mais podemos aprimorar nossa constituição física, intelectual e emocional, proporcionando a nós e a próxima geração a possibilidade de prolongarmos a nossa existência</strong>. A seguir, vou compartilhar alguns ensinamentos presentes no texto&nbsp;<em>Além-do-homem: jovens para sempre</em>, de Pablo de Araújo Batista.</p>



<p><strong>Mas será que estamos prontos para alçar esse voo?</strong>&nbsp;Como é impossível tocar nesse assunto sem evocar os demônios do nazismo, além de reviver as ideias de Eugenia de Francis Galton, convém limpar o caminho que nos leva a um futuro promissor dos entulhos depositados pelo pensamento dogmático, ou seja, precisamos pensar essa possibilidade a partir da ética.</p>



<p>O profeta Zaratustra, criação de Nietzsche, prenunciou o surgimento do além-homem (<em>Übermensch</em>): é um novo tipo de homem que superou uma velha e desgastada forma de homem; tal superação ocorre pelo refinamento cultural e pelo crescimento pessoal que poucos indivíduos excepcionais alcançam; voltando as costas para as ilusões do “céu”, seus valores são a saúde, a vontade forte, o amor, a embriaguez dionisíaca e um novo orgulho que ama a vida e cria o sentido da “terra”.</p>



<p>Nietzsche não estava pensando em uma transformação tecnológica. O seu “além-homem” é diferente da concepção abordada pelo pensamento transhumanista. O transhumanista está preocupado com as alterações em nosso conceito de humano a partir da utilização crescente de tecnologias de aprimoramento.</p>



<p>Existem alguns causadores de sofrimento que são considerados “naturais” ou “frutos da vontade de Deus”, tais como o envelhecimento, graves doenças como o mal de Alzheimer e limitadores de existência como a morte. Mas, na medida em que progredimos em direção a uma sociedade do conhecimento e da tecnologia, muitos desses problemas serão gradualmente amenizados e, por fim, eliminados.</p>



<p><strong>Uma das perspectivas atraentes no desenvolvimento seguro da Engenharia Genética é a possibilidade de prolongarmos nossa juventude e nosso tempo de existência</strong>. Graças a alguns fatores como, por exemplo, boa alimentação, novas normas de higiene, saneamento básico, vacinas e grandes avanços na área médica e tecnológica, o atual momento histórico é comprovadamente o período em que mais tempo podemos viver.</p>



<p>Por volta de 1760, a expectativa de vida na América do Norte e na Europa Setentrional era de meros 37 anos. Hoje, nos melhores lugares do mundo para se viver, as pessoas têm expectativa de vida de mais de 80 anos. Em alguns lugares privilegiados, como a Sardenha ou em Okinawa, chegam aos 100 anos de idade.</p>



<p>Evidentemente, se pudermos estender nossa existência por mais tempo com a manutenção da qualidade de vida, poderemos desenvolver e concluir projetos que muitas vezes os poucos 70 ou 80 anos não nos permitem. Nick Bostrom disse que viver mais somente valerá a pena se, além do corpo, as propriedades cognitivas também forem sustentadas e as pessoas continuarem a trabalhar em seus projetos.</p>



<p><strong>Referência Bibliográfica:</strong></p>



<p><em>Além-do-homem: jovens para sempre</em>, de Pablo de Araújo Batista</p><p>The post <a href="https://mateusalvadori.com.br/nietzsche-alem-homem-e-transumanismo/">Nietzsche, além-homem e transumanismo</a> first appeared on <a href="https://mateusalvadori.com.br">Mateus Salvadori</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Seis ensinamentos de Aristóteles para alcançar a felicidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mateus Salvadori]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Jul 2023 19:06:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Segundo Aristóteles, sem amigos não podemos alcançar a&#160;eudaimonia. Eudaimonia&#160;é um termo grego que literalmente significa “o estado de ser habitado por um bom&#160;daemon, um bom gênio”, e, em geral, é traduzido como felicidade.&#160;Para Aristóteles, a busca da felicidade era a finalidade da vida. Hoje a convertemos em uma obsessão doentia, cremos que é um direito&#8230;&#160;<a href="https://mateusalvadori.com.br/seis-ensinamentos-de-aristoteles-para-alcancar-a-felicidade/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Seis ensinamentos de Aristóteles para alcançar a felicidade</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Segundo Aristóteles, sem amigos não podemos alcançar a&nbsp;<em>eudaimonia</em>.</p>



<p><em>Eudaimonia</em>&nbsp;é um termo grego que literalmente significa “o estado de ser habitado por um bom&nbsp;<em>daemon</em>, um bom gênio”, e, em geral, é traduzido como felicidade.&nbsp;Para Aristóteles, a busca da felicidade era a finalidade da vida.</p>



<p>Hoje a convertemos em uma obsessão doentia, cremos que é um direito que temos e não uma aspiração e isso nos leva a frustrações. Alguns se consolam dizendo que a felicidade está nas pequenas coisas. Isso não é felicidade.</p>



<p>Para Aristóteles,&nbsp;a felicidade não é um estado, mas uma atividade. Somente no final da nossa vida podemos dizer se fomos felizes ou não. Você quer ser feliz? Aristóteles nos diz que temos que trabalhar para alcançarmos isso.</p>



<p>As seis lições de Aristóteles para alcançar a felicidade que você precisa conhecer são:</p>



<p>1°)&nbsp;Pratique as virtudes: pelo exercício da virtude, educamos nossos instintos e nos tornamos senhores de nossas próprias energias;</p>



<p>2°)&nbsp;Tenha amigos verdadeiros: existe a amizade baseada na utilidade ou interesse, a amizade baseada no prazer e a amizade baseada na virtude e essa é a única amizade verdadeira;</p>



<p>3°)&nbsp;Busque ter boa saúde: a saúde é condição da felicidade. Sem saúde, a felicidade nos foge;</p>



<p>4°)&nbsp;Seja autossuficiente: o sábio precisa de bens materiais, mas só os indispensáveis para viver, pois o excesso de bens corrompe a mente;</p>



<p>5°)&nbsp;Viva numa sociedade justa: essa condição é absolutamente necessária para que sejamos felizes;</p>



<p>6°)&nbsp;Medite filosoficamente: esse é o supremo nível da felicidade, pois nele contemplamos as verdades imutáveis.</p>



<p>Para Aristóteles, a felicidade é o objetivo final e mais alto da vida humana. Ele acredita que a felicidade não é um estado passageiro de prazer ou alegria, mas sim um estado duradouro e completo de realização e satisfação em todas as áreas da vida.<br><br>A felicidade é alcançada através de um equilíbrio entre as virtudes intelectuais (como sabedoria, razão e entendimento) e as virtudes éticas (como coragem, justiça e generosidade). Ele acredita que a felicidade é um processo contínuo de aperfeiçoamento e crescimento pessoal, e que a vida virtuosa é o caminho para alcançar a felicidade duradoura e completa.<br><br><strong>Referência&nbsp;Bibliográfica:&nbsp;</strong><em>Ética a Nicômaco</em>, de Aristóteles</p><p>The post <a href="https://mateusalvadori.com.br/seis-ensinamentos-de-aristoteles-para-alcancar-a-felicidade/">Seis ensinamentos de Aristóteles para alcançar a felicidade</a> first appeared on <a href="https://mateusalvadori.com.br">Mateus Salvadori</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Marx e Nietzsche: o ser humano, o mundo e a história</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mateus Salvadori]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Jun 2023 12:03:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Três conceitos centrais para a filosofia são: o ser humano, o mundo e a história. Eles são discutidos desde a origem da filosofia e até hoje geram debates acalorados. Dois grandes teóricos que tratam desses três conceitos de maneiras diferentes são Marx e Nietzsche. Nicola Abbagnano, na sua obra&#160;A sabedoria da Filosofia, apresenta sucintamente essa&#8230;&#160;<a href="https://mateusalvadori.com.br/marx-e-nietzsche-o-ser-humano-o-mundo-e-a-historia/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Marx e Nietzsche: o ser humano, o mundo e a história</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Três conceitos centrais para a filosofia são: o ser humano, o mundo e a história</strong>. Eles são discutidos desde a origem da filosofia e até hoje geram debates acalorados. Dois grandes teóricos que tratam desses três conceitos de maneiras diferentes são Marx e Nietzsche. Nicola Abbagnano, na sua obra&nbsp;<em>A sabedoria da Filosofia</em>, apresenta sucintamente essa diferença.</p>



<p><strong><em>Primeira diferença: &#8220;o ser humano&#8221;</em></strong></p>



<p>Para Marx, o homem se constitui essencialmente pelas relações de “produção” (modos de produção: escravidão, feudalismo, capitalismo e comunismo) e “trabalho” (exteriorização do ser; nos diferencia dos animais), e como tais relações variam historicamente com o desenvolvimento da sociedade, o homem é &#8220;um ser social&#8221; e tudo aquilo que pensa ou faz é manifestação ou afirmação da vida social.<strong></strong></p>



<p>Já para Nietzsche o homem é essencialmente energia vital, vontade de potência (principal força motriz nos seres humanos: é a realização, a ambição, o esforço, o expandir-se, o dominar, o criar valores e dar sentidos próprios), individualidade irredutível, à qual os limites e imposições da sociedade permanecem estranhos, à semelhança de máscaras de que pode e deve livrar-se.<strong></strong></p>



<p>Parece que Nietzsche e Marx concordam com a materialidade, com a corporeidade do homem. Mas, para Marx, essa corporeidade é sujeição às necessidades e ao trabalho para satisfazê-las; para Nietzsche, em contrapartida, é a jubilosa explosão da energia vital, a ativa experiência dos valores que a subtraem ao niilismo da renúncia.<strong></strong></p>



<p><strong><em>Segunda diferença: &#8220;o mundo&#8221;</em></strong></p>



<p>Para Marx (e principalmente para Friedrich Engels), o mundo em que o homem vive é um todo orgânico perfeitamente ordenado, governado por leis necessitantes, que Engels considerava de natureza “dialética”.<strong></strong></p>



<p>Para Nietzsche, o mundo não tem ordem, estrutura, forma e inteligência. Nele as coisas “dançam nos pés do acaso”; somente a arte pode transfigurar a desordem do mundo em beleza e fazer aceitável tudo aquilo que há de problemático e terrível na vida.<em><br><strong>Terceira diferença: &#8220;a história&#8221;</strong></em></p>



<p>Para Marx, a história é dominada pela estrutura econômica da sociedade, e todas as modificações que aí ocorrem se devem às mudanças de tais estruturas. Por isso, “o modo de produção da vida material condiciona, em termos genéricos, o processo social, político e espiritual da vida” (a infraestrutura condiciona a superestrutura). A história é processo necessário que terá como etapa derradeira a inevitável transformação da sociedade capitalista em sociedade comunista. Só resta aos homens adaptar-se ao movimento da história, favorecê-lo e trabalhar neste sentido. Qualquer tentativa contrária seria inútil.<strong></strong></p>



<p>Para Nietzsche, a história é feita pelos indivíduos superiores, que sabem compreender as razões do passado e antecipar as do futuro; pelos senhores e legisladores, para os quais conhecer equivale a criar, o criar a legislar, o querer a verdade a querer o poder. Nietzsche propõe formas nas quais a história possa ser utilizada para promover a vida e não paralisá-la, ou seja, para estimular as produções culturais e não cristalizá-las. A história é um círculo fechado que se repete eternamente com seus episódios e acontecimentos, com suas desordens e seus males. Diante de tudo isso, só resta ao homem duas atitudes: a negação, ou seja, o pessimismo e o niilismo; e a afirmação, ou seja, a alegre aceitação do mundo tal qual é, com todos os seus aspectos. Mas somente são capazes desta segunda atitude aqueles indivíduos excepcionais que não se deixam abater ou desviar pelas circunstâncias.<strong></strong></p>



<p><strong>Referência Bibliográfica</strong></p>



<p><em>A sabedoria da Filosofia</em>, de Nicola Abbagnano</p><p>The post <a href="https://mateusalvadori.com.br/marx-e-nietzsche-o-ser-humano-o-mundo-e-a-historia/">Marx e Nietzsche: o ser humano, o mundo e a história</a> first appeared on <a href="https://mateusalvadori.com.br">Mateus Salvadori</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Ser estoico não significa ser passivo, mas ser resistente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mateus Salvadori]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Apr 2023 19:15:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Um princípio básico do Estoicismo de Epicteto é saber diferenciar o que podemos controlar&#160;(nosso estado mental: desejos e aversões, impulsos e opiniões)&#160;daquilo que não podemos&#160;(as coisas externas). Como ele diz na obra&#160;Manual: entre as coisas que existem, há aquelas subordinadas a nós e as não subordinadas a nós. As subordinadas a nós são o pensamento,&#8230;&#160;<a href="https://mateusalvadori.com.br/ser-estoico-nao-significa-ser-passivo-mas-ser-resistente/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">Ser estoico não significa ser passivo, mas ser resistente</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Um princípio básico do Estoicismo de Epicteto é saber diferenciar o que podemos controlar</strong>&nbsp;(nosso estado mental: desejos e aversões, impulsos e opiniões)&nbsp;<strong>daquilo que não podemos</strong>&nbsp;(as coisas externas). Como ele diz na obra&nbsp;<em>Manual</em>: entre as coisas que existem, há aquelas subordinadas a nós e as não subordinadas a nós. As subordinadas a nós são o pensamento, o impulso, o desejo, o evitar e, em síntese, todas as operações que executamos (todos esses aspectos são características internas nossas); as não subordinadas a nós são o corpo, os bens, a reputação, os cargos e, em síntese, tudo aquilo que não são operações que executamos.</p>



<p>Epicteto julga as coisas não subordinadas a nós como frágeis, externas e dignas de um escravo. Seguindo esse raciocínio, nós não controlamos os eventos externos, a sorte, o carma, as outras pessoas, o mundo. Entretanto, tais coisas dizem respeito a algo que está verdadeiramente sobre nosso controle: o pensamento. Continua Epicteto: some-se a isso que as que estão subordinadas a nós são naturalmente livres, desimpedidas, sem obstáculos, ao passo que as que não estão subordinadas a nós são frágeis, servis, sujeitas a impedimentos, estranhas.<strong></strong></p>



<p>O grande problema é que muitas pessoas entenderam esse princípio de maneira errada, achando que ele significa uma passividade diante das coisas externas. As coisas externas são aquelas que não dependem totalmente de você, mas que você pode manejar de alguma forma, lidar da melhor maneira possível.<strong></strong></p>



<p><strong>O estoicismo não é uma filosofia de passividade, mas de resistência</strong>. Diante do mundo atribulado, o estoico constrói em sua mente uma cidade de refúgio, onde só ele tem o controle. E, estando com sua mente protegida, ele age como cidadão do cosmos, para o bem de todos. Procuramos refúgio, por exemplo, nas casas de campo, mas os problemas vão junto conosco. Como disse Sêneca: não é mudar os ares, mas mudar o ânimo. Não é fugir dos problemas, mas aprender a lidar com eles. Sêneca nos propõe o seguinte raciocínio: você trocaria a sua vida pela vida de outra pessoa? A resposta a isso vai nos apresentar a qualidade de nossa vida. Não basta que a nossa vida tenha uma longa duração, mas que o nosso tempo seja cheio de vida de acordo com nossas circunstâncias.</p>



<p>Um exemplo prático disso tudo dado por Epicteto em sua obra&nbsp;<em>Manual</em>&nbsp;é o seguinte: quando te dispões a realizar alguma ação, recorda-te de qual é a natureza dessa ação. Se estás saindo para tomar um banho, antecipa mentalmente o que acontece numa sala de banhos (aqui a referência é aos banhos públicos), ou seja, indivíduos que jogam água em ti, indivíduos que esbarram em ti, indivíduos que te insultam, indivíduos que te roubam (em outras palavras, ser pessimista e esperar que as coisas deem errado). Com efeito, por via de consequência se durante o banho acontecer de te veres diante de algum obstáculo, estarás pronto para dizer: “Todavia eu não queria somente isso, mas também conservar minha vontade em harmonia com a natureza; mas não a conservaria se me aborrecesse com os acontecimentos”. Ao visualizar possíveis cenários você consegue lidar melhor com situações de adversidade e obstáculos, pois você já estava preparado de antemão.<strong></strong></p>



<p><strong>Referência Bibliográfica</strong></p>



<p>EPICTETO. <em>Manual de Epicteto</em>: a arte de viver melhor. Trad.: Edson Bini. 1 ed. São Paulo: Edipro, 2021.</p><p>The post <a href="https://mateusalvadori.com.br/ser-estoico-nao-significa-ser-passivo-mas-ser-resistente/">Ser estoico não significa ser passivo, mas ser resistente</a> first appeared on <a href="https://mateusalvadori.com.br">Mateus Salvadori</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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