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	<title>Luc Ferry - Mateus Salvadori</title>
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		<title>A fábula dos três operários</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Apr 2023 21:42:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Uma das motivações de muitas pessoas que procuram a filosofia é refletir sobre o sentido da vida. Essa motivação busca responder às perguntas:&#160;como viver melhor? Qual o propósito da minha vida? Pensar sobre o sentido da vida é pensar também sobre nossa finitude. Schopenhauer e Tolstói afirmaram que a questão emerge precisamente do fato de&#8230;&#160;<a href="https://mateusalvadori.com.br/a-fabula-dos-tres-operarios/" class="" rel="bookmark">Continue a ler &#187;<span class="screen-reader-text">A fábula dos três operários</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das motivações de muitas pessoas que procuram a filosofia é refletir sobre o sentido da vida. Essa motivação busca responder às perguntas:&nbsp;<strong>como viver melhor? Qual o propósito da minha vida?</strong></p>



<p>Pensar sobre o sentido da vida é pensar também sobre nossa finitude. Schopenhauer e Tolstói afirmaram que a questão emerge precisamente do fato de as nossas vidas acabarem com a morte. A crença num Deus pode aliviar essas preocupações, pois se Deus existe deve existir vida após a morte. Assim, muitos procuram uma resposta a essas perguntas na religião, mas nem todos creem na religião. Aí está, então, o recurso à filosofia.<strong></strong></p>



<p><strong>Muitos filósofos defendem que devemos viver em harmonia com o cosmo; outros, com Deus; outros ainda, com a nossa razão</strong>.</p>



<p>Mas há aqueles que defendem que se Deus não existe, a vida humana é um absurdo.&nbsp;<strong>Perante a ausência de sentido:</strong></p>



<p><strong>1) diz Nietzsche, com o seu niilismo ativo:</strong>&nbsp;não ter mais sentido torna-se um convite para criarmos os valores, encontrando novos modos de vida potentes e criadores (transvaloração de todos os valores);</p>



<p><strong>2) diz Sartre, com o seu existencialismo:</strong>&nbsp;o homem cria a si mesmo aquilo que ele será (sua existência precede sua essência), e ele cria sem norma transcendente para se guiar. Mas ele não apenas cria; ele está &#8220;condenado&#8221; a fazê-lo;</p>



<p><strong>3) diz Camus, com o seu absurdismo:</strong>&nbsp;a revolta é a saída. O ser humano é chamado para revoltar-se contra a ditadura cega de uma ordem natural, que conduz à morte. A sua revolta consiste em assumir com teimosia a absurdidade, dizendo &#8220;sim&#8221; a uma tarefa sem sentido.</p>



<p>Se não há sentido no universo, podemos deslocar a nossa procura de sentido para o interior. A vida tem sentido se pudermos ocupar-nos de atividades que achamos serem significativas; de outro modo, não. Podemos pensar em pilares para alcançarmos uma vida boa, como o prazer, o engajamento (fábula dos três operários) e a ampliação de horizontes (melhoramento intelectual, moral etc.).<strong></strong></p>



<p>A&nbsp;<strong>fábula dos três operários</strong>&nbsp;(da obra&nbsp;<em>7 maneiras de ser feliz</em>, de L. Ferry) relata que um carro precisou parar na estrada por causa de uma obra:</p>



<p>1) Um operário está quebrando pedras com uma pesada marreta, o semblante transfigurado pelo esforço e pela fadiga. &#8220;O que o senhor está fazendo?&#8221; o motorista o interroga. &#8220;Preparando argamassa&#8221;, responde o operário, &#8220;com chuva ou com vento, um trabalho de burro de carga!&#8221; (sem sentido);<strong></strong></p>



<p>2) O sujeito do carro retoma o trajeto e topa com um segundo canteiro de obras, idêntico ao primeiro. Também ali, um homem tritura pedras, só que parece mais sereno. À mesma pergunta, a resposta é diferente: &#8220;Sim, este ofício é penoso, é verdade, mas pelo menos permite trabalhar ao ar livre e alimentar a família, o que não é tão ruim assim!&#8221; (sentido externo);<strong></strong></p>



<p>3) Nosso condutor parte de novo e encontra um terceiro canteiro. Mesmo trabalho, mesma marreta pesada. Mas, desta vez, o homem exibe uma expressão beatífica, a face iluminada. Intrigado, o motorista repete a pergunta: &#8221; O que o senhor está fazendo? Parece muito feliz!&#8221; &#8220;Eu?&#8221;, responde o infatigável operário. &#8220;Estou construindo uma catedral. Isso me esgota, mas me enche de alegria!&#8221; (sentido interno).<strong></strong></p>



<p>Em suma, discutir sobre o sentido ou a sua ausência é um tema filosófico. Mas, acreditando ou não nele, algo que devemos fazer sempre é aprender a gostar de nossa rotina (e mudá-la, se necessário), porque assim é mais fácil ter uma vida boa.<strong></strong></p>



<p><strong>Referência Bibliográfica</strong></p>



<p><em>7 maneiras de ser feliz</em>, de L. Ferry</p><p>The post <a href="https://mateusalvadori.com.br/a-fabula-dos-tres-operarios/">A fábula dos três operários</a> first appeared on <a href="https://mateusalvadori.com.br">Mateus Salvadori</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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